nanoprep #05 – segundo ato

Hoje eu finalmente terminei de planejar Serpentkiller, mas para o post de hoje irei falar apenas do que planejei para o segundo ato.

O segundo ato é extremamente importante para a história. Não que o primeiro e o terceiro não sejam, mas é no segundo onde o desenvolvimento dos personagens acontecem e, bem, onde a história acontece. Afinal de contas, o segundo ato é o maior de todos e toma literalmente metade da história.

Com Serpentkiller, a personagem que mais se desenvolve é, obviamente, a Noelle. Como mencionei em posts passados, o desenvolvimento da Noelle se foca nas crenças dela, ou seja, em como ela vai de Super Preconceituosa Contra Sournais/Serpentes/Avrazas para Pessoa Decente. Para mostrar esse desenvolvimento, portanto, eu tinha que fazer com que coisas na história desafiassem essa crença dela.

O primeiro passo para isso acontecer foi justamente estabelecer a crença no ato 1. No ato 2 é que o “desafiar as crenças dela” começa. Para isso, eu prefiro fazer desenvolvimento de personagem em cinco etapas:

  • Personagem acredita firmemente em algo e/ou age de certa forma (ato 1)
  • Personagem tem suas crenças/jeito de agir desafiados, mas recusa a ver a verdade (primeira metade do ato 2)
  • Personagem começa a perceber que sua crença/modo de agir está errado, mas ainda continuar acreditando/agindo da mesma forma (ou fingindo que está acreditando, pelo menos) (isso lá pro meio da história)
  • Personagem começa a pender para a verdade da parada aka sabe no fundo que está errado, mas ainda não aceitou isso completamente (segunda metade to ato 2)
  • Personagem finalmente aceita que estava errado, geralmente faz uma decisão importante para a história com base nisso (decisão crítica) (ato 3)

Portanto, eu precisava primeiro que algo desafiasse as crenças de Noelle já no início do segundo ato. Minha mente logo foi para Sephis, já que ela (e a Serpente) que vai causar as principais mudanças no modo de pensar de Noelle.

Com isso em mente, pensei em cenas em que Sephis mostrasse/desafiasse que Noelle está errada. Felizmente, isso podia ser facilmente incluído no plot, já que Noelle vai sim atrás de Sephis, mas ela não está 100% certa de que Sephis pode ajudá-la (ela pode, afinal de contas, ser uma charlatã). Ao pedir para que ela provasse que há sim como domar serpentes, Sephis poderia também mostrar que serpentes não são terríveis ou maléficas.

Como? Simples: memórias.

Um dos elementos que eu mais gosto de Arzanael é que memórias/almas/mentes são coisas mais…. físicas? Maleáveis? do que em nosso mundo. Exemplo: você pode armazenar memórias de outras pessoas em sua mente, você pode ver almas zanzando por aí e sua mente pode assumir forma física – obviamente não no mundo real, mas ela pode aparecer sim como se fosse real. E, geralmente, o estado da mente da pessoa diz muito sobre ela.

Assim sendo, Sephis poderia mostrar memórias para Noelle – memórias de uma época em que serpentes eram sim domadas, em que serpentes não eram consideradas seres terríveis. Aproveitando isso, ela também poderia mostrar como os dragões não são os santos que eles parecem ser.

Isso serviria para desenvolver o plot (Noelle estará convencida de que Sephis pode ajudar, logo ambas podem partir atrás da Serpente) e também para desenvolver a Noelle (ela veria que serpentes não são seres destruidores como sempre acreditou, apesar de não levar isso em consideração no momento/preferir não aceitar).

Depois disso, eu precisava de algo que a fizesse ver que talvez ela não esteja certa. Resolvi isso ao resolver outro problema que estava tendo: a falta de sournais.

Serpentkiller se passa anos e anos antes da guerra entre sournais e attorias que levaria à Fúria, e por isso os sournais não são uma ameaça agora e, de início, sequer apareceriam no livro. Mas sournais e attorias são raças minhas, criadas para essa série, e por isso seria bem estranho apresentar uma delas através de falas dos personagens (attorias falando de sournais) sem que ela não aparecesse em momento algum na história. Então… e se aparecessem? E se uma pequena família sournai tivesse movido para a área dos attorias e estivesse vivendo lá há anos, mas agora com o ataque da serpente precisasse se mover mais para dentro do território? E se Noelle os encontrasse por acaso?

Essa família sournai estaria lá justamente porque a área sournai do continente é BEM menos fértil do que a área attoriana. Como eu disse em uma ask recente, a principal causa das guerras entre attorias e sournais é território, justamente porque sournais passam por umas dificuldades do diabo onde moram. A família proporcionaria uma oportunidade para Noelle sair da caixinha Todos Os Sournais São Horríveis e a faria começar a ver que ela está sim errada.

A última etapa do desenvolvimento aqui no segundo ato é a personagem começar a pender mais pra lá do que pra cá, ou seja, ver mesmo que estava errada apesar de ainda não admitir isso em voz alta. Pensei no midpoint ter proporcionado o início disso (ela perceberia que não quer matar a Serpente, e junto com o que lhe foi mostrado por Sephis e com o encontro com a família sournai, ela ter passado para essa etapa. Mas para isso realmente acontecer eu pensei em outra coisa: a Rainha Serpente.

Como comentei brevemente no último post, a Rainha Serpente é a protagonista de um conto que já escrevi. Ele foi aceito pela Contracapa no ano passado, mas a revista se escafedeu e eu pensei em tentar uma última vez antes de postá-lo no Wattpad/Widbook e o mandei para a Trasgo. Sendo bem sincero, não acho que vai ser aceito, mas prefiro esperar até ter certeza.

Enfim, a Rainha Serpente é meio que uma figura lendária para attorias. Diz a lenda que ela era uma attoria avraza que desapareceu durante uma tempestade de sombras após anos dizendo que conseguia escutar as serpentes a chamando. Desde então, ela vagaria pela área attoria do continente na forma de uma grande serpente de sombras, esperando pelo dia em que suas irmãs – as serpentes – seriam libertas de sua prisão.

Desde que comecei a planejar Serpentkiller que eu vinha tentando arranjar um modo de enfiar a Rainha Serpente na história, mas foi só hoje ao parar para planejar o ato 2 que eu percebi que ela poderia ser uma ferramenta essencial para o desenvolvimento de Noelle – ela seria a pessoa que a empurraria de vez para “ok, sei que estou errada, mas é difícil admitir isso”.

Com esses três novos elementos, minha lista de acontecimentos para o segundo ato fica um pouco maior:

  • Noelle deixa Driatta (fim do primeiro ato/primeiro plot point)
  • Noelle se encontra com Sephis + Sephis mostra as memórias para ela
  • Noelle encontra a família sournai
  • Noelle, Sephis e Mia enfrentam a serpente nas ruínas onde as armas para domar serpentes estão (midpoint – meio do segundo ato)
  • Noelle decide ir com Mia e Sephis até onde a Rainha Serpente está.
  • Noelle enfrenta a Serpente, mas não consegue domá-la (fim do segundo ato/terceiro plot point)

Agora só era preciso preencher o resto. Para isso, listei as coisas que faltavam e como poderia introduzi-las na história:

  • Noelle logo depois de sair de Driatta (provavelmente em um esconderijo)
  • A introdução de Mia (pensei em Mia estar esperando do lado de fora de Driatta pelo grupo enviado por Zora para destruir a Serpente, exceto que esse grupo nunca vem – ou seja, só a Noelle aparece e ela meio que decide segui-la)
  • As três viajando em direção às ruínas
  • Visita a um vilarejo destruído pela Serpente, mais para mostrar do que ela é capaz mesmo
  • Momentos em que as três apenas conversam para desenvolver mais o relacionamento entre elas (pensei em algo mais descontraído – em um lugar mais bonito da floresta/um lago, talvez?)
  • Treino com as armas encontradas nas ruínas
  • Chegada em Tiena

Depois disso, foi só fazer a lista completa de coisas que acontecem no segundo ato:

  • Noelle em seu esconderijo após sair de Driatta
  • Noelle notando que alguém a está seguindo (Mia)
  • Chegada na morada de Sephis/encontro com Sephis
  • Sephis mostra as memórias para ela
  • Sephis decide ir com ela para as ruínas
  • As duas descobrem Mia e Mia se recusa a ir embora, então Sephis e Noelle aceitam que ela vá com elas atrás da Serpente
  • Jornada até as ruínas, passando por uma das grandes pontes*
  • Encontro com a família sournai no meio da ponte
  • Chegada nas ruínas + elas encontram as armas
  • A Serpente ataca, mas é ferida (por um desabamento talvez?). Noelle a poupa (midpoint)
  • Noelle é confrontada por Mia por não ter matado a Serpente
  • Noelle finalmente confessa que foi ela quem a poupou anos atrás
  • Sephis guia as duas até onde a Rainha Serpente pode ser encontrada
  • A Rainha Serpente mostra o chamado das serpentes, que ela escuta sempre
  • Elas deixam a Rainha Serpente e passam por um vilarejo destruído (o de Mia, talvez?)
  • Passam um tempo descansando em uma área próxima ao vilarejo
  • Chegam em Tiena e buscam pela Serpente
  • As três enfrentam a Serpente, mas não conseguem domá-la (terceiro plot point/fim do segundo ato)

E… fim! Segundo ato praticamente planejado. Claro que falta algumas coisas (tenho que ver como irei desenvolver Mia e Sephis, por exemplo), mas o grosso da história finalmente está aí, o que resta apenas, claro, o terceiro ato.

*Arzanael é dividido por “placas” aka territórios ou muito quentes ou muito frios. A explicação aceita por literalmente todo mundo (e que é verdade) é que como o mundo surgiu literalmente em volta do deus-dragão e da deusa-serpente, as áreas quentes = corpo do dragão e as áreas frias = corpo da serpente. As grandes pontes são o que ligam uma placa a outra.

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