Diário de Escrita #04 – Lidando com vários POVs

Com o fim dos meus posts sobre minha Nanoprep (já que a outline de Serpentkiller já está pronta), voltei para o batente de verdade, ou seja, para o planejamento de Queen of Hearts. No último diário de escrita eu falei sobre como descobri o problema das 32k palavras que escrevi durante o Camp NaNoWriMo e estava relativamente pronto para fazer uma nova outline, essa levando em conta todas as alterações que o Novo Elemento(tm) do worldbuilding acarretou no plot. Mas a toupeira aqui viu setembro se aproximando e pensou, meu Deus, o NaNoWriMo em novembro! e puff, me apressei para planejar direitinho o projeto que irei usar em novembro (obviamente, tal projeto é Serpentkiller).

Problema sendo: há uma coisa entre setembro e novembro e essa coisa se chama OUTUBRO.

Estou até agora tentando arranjar uma explicação que faça sentido para o fato de que eu apaguei outubro da minha mente como se o pobre coitado nunca tivesse existido, mas as consequências desse lapso são bem óbvias: eu ainda tenho mais de um mês e meio até o NaNoWriMo, ou seja, tempo para escrever Queen of Hearts.

E foi isso que me fez sentar a bunda na cadeira hoje para trabalhar naquela nova outline que mencionei no último diário de escrita. Foi difícil terminá-la, porém, e isso tudo se deve a uma coisa apenas: POVs.

Lá quando eu ainda escrevia O Olho da Serpente, lidar com os POVs da história não era muito difícil por vários motivos. Primeiro, os personagens com POV quase nunca se encontravam, então era mais fácil escrever os capítulos deles quase que como se fossem histórias separadas. Segundo, ODS tinha uma protagonista apenas apesar de ter cinco personagens com POV (incluindo ela, claro), então eu não me importava nem um pouco em fazer a tal protagonista ter 5 capítulos seguidos enquanto os outros personagens tinham tipo, um por vez. Mas QH é BEM diferente nesse sentido, já que sim, Valentina é a protagonista do primeiro volume, mas eu preciso estabelecer e desenvolver Rafael e Lori, já que eles vão ser os protagonistas do segundo e terceiro volume respectivamente. Valentina ainda ganharia mais atenção, claro, mas Rafael e Lori seriam coprotagonistas com ela.

E é aqui que eu revelo umas coisas sobre mim: eu tenho uns tics bizarros de organização. Exemplos:

1. Se eu começar uma família no The Sims 4 hoje e parar de jogar em uma semana, quando eu voltar a jogar daqui a três semanas eu PRECISAREI criar uma família nova já que meu cérebro odeia continuar as coisas pela metade apesar de EU ter começado a família.

2. Se você me der um livro pra ler e ele for o número 5 em uma série onde cada livro é standalone (ou seja, não importa onde você começa a ler), eu não conseguirei lê-lo porque a ideia de que tem coisa antes que eu não li ficará enchendo o meu saco mesmo eu sabendo que não é necessário ler os volumes anteriores (única exceção a essa cisma minha são os livros da Agatha Christie tbh).

3. Meu caderno é estupidamente organizado quando o assunto é a formatação do que eu escrevo. Tópicos são separados por bolinhas na frente deles, sub-tópicos são um pouco mais pro lado direito e são sinalizados por tracinhos na frente deles e se eu errar uma vez sequer irei me odiar até eu ter começado tudo de novo em uma nove folha, não importa se eu já tiver usado a página toda.

4. Se for meio dia e eu tiver que sair às 15h30 eu não conseguirei fazer NADA em casa até eu sair e voltar, ou seja, não conseguirei escrever ou estudar ou desenhar ou whatever nessas três horas e meia. Eu abomino a ideia de ser interrompido, logo eu nem começo.

E, por último, e o que é o exemplo mais importante para esse post:

5. Eu adoro coisas simétricas, ou coisas que são correspondentes/reflexos uma da outra.

(Minha lua é em virgem o que talvez explique isso oops)

Acho que até já comentei lá no Chimeriane, mas antigamente o fato dos títulos de The Iron Queen’s Game não serem “simétricos” me irritava. Master of Beasts e Angel of Mist “combinavam”, mas o nome do primeiro, Masked Queen, não, e isso me deixava meio :///. Quando surgiu a oportunidade/ideia de mudar esse título, portanto, eu não hesitei e Masked Queen se tornou Queen of Hearts.

Ou seja, pode-se concluir que eu tenho uma cisma com início, meio e fim & coisas simétricas e isso acaba refletindo no que eu escrevo, seja no meu amor por estrutura e planejamento ou no worldbuilding das minhas histórias (ODS é total baseada em elementos que servem de espelho um para o outro e/ou são simétricos, como os dragões, avrazas e attorias x as serpentes, enais e sournais, por exemplo). E, bem… em como eu organizo meus personagens POV.

Seguindo minha neura de coisas precisarem seguir uma ordem/terem início, meio e fim/serem “simétricas”, minha intenção inicial para QH era que os capítulos seguissem uma esquema bem básico: capítulo da Valentina > capítulo do Rafael > capítulo do Lori em loop até o fim da história.

Problema: não dá pra contar a história desse jeito.

Não. Dá.

Isso vem me irritando há MESES, mas eu tenho que admitir a derrota. Não dá pra seguir uma ordem bonitinha de capítulos em QH pelo simples fato de que algumas cenas ficariam horríveis do ponto de vista da Valentina enquanto outras precisam ser do ponto de vista do Lori e várias ficariam BEM melhor se fossem do ponto de vista do Rafael. Isso sem falar no quão abrupta as mudanças de capítulo ficariam e como o ritmo sofreria com esse sistema, ou como eu estava literalmente criando coisa para tal personagem fazer simplesmente porque não era a vez dele no esquema V>R>L.

Eu cheguei a considerar tirar os POVs do Rafael e do Lori de QH, mas felizmente me toquei que eu estava correndo o risco de arruinar um livro INTEIRO porque meu cérebro dá piti se eu não fazer as coisas em ordem. Quero dizer, wtf?

E seguir esse esquema fazia qualquer tentativa de outline um verdadeiro inferno. Eu tinha que pensar no que tinha que acontecer, em como os personagens se desenvolveriam naquelas cenas e ainda por cima tinha que fazer verdadeiros malabarismos para os capítulos continuarem sendo V>R>L>V>R>L>etc até o fim da história. Eu consegui planejar a outline de Serpentkiller em menos de uma semana, mas a outline de um livro para o qual eu já tinha um rascunho completo? Não rolava porque POVs. Sério mesmo.

Mas hoje eu finalmente desisti do sistema V>R>L>V>R>L e fiz uma nova outline levando em conta as coisas que precisavam acontecer e não a ordem dos personagens POV. Nem preciso dizer que ela ficou pronta rapidinho, né? Pois é. Agora QH tem momentos em que a Valentina tem três capítulos seguidos, momentos em que o Lori surge entre capítulos dela como quem não quer nada, momentos em que Rafael narra pra cacete,  momentos em que Rafael não narra nadica de nada e assim por diante.

Graças a isso, finalmente começarei a reescrever as 32k palavras que fazem o primeiro ato de QH essa semana.

Ainda me incomoda? Sim, incomoda.

Mas é o melhor para história? Sim, é.

Maldita lua em virgem.

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