estrutura #05 – personagens reagem

Continuando a série de matérias sobre estrutura, hoje falarei do segundo ato da história. O segundo ato é o maior de todos; enquanto o primeiro e o terceiro têm cerca de 25% da história cada, o segundo toma 50% do livro. Ou seja, o grosso da trama acontece aqui, no segundo ato.

Também conhecido como o temido meio.

*trombetas do apocalipse*

Mas antes de seguir, vamos recapitular:

Na primeira matéria, eu dei uma visão geral sobre estrutura, na segunda eu comecei a falar sobre o primeiro ato com o gancho, na terceira eu falei sobre a apresentação dos personagens, seus desejos e do que eles têm a perder, e na quarta eu falei sobre o que fecha o primeiro ato: o primeiro plot point.

O segundo ato começa refletindo justamente as consequências do primeiro plot ploint. Para aqueles que não lembram muito bem, o primeiro plot point marca o momento em que tudo muda na sua história. É o “ponto sem volta”, a transição de normal para extraordinário, o momento em que o plot finalmente crava suas garras no seu protagonista. E a primeira metade do segundo ato é toda de seu protagonista fazendo uma coisa: reagindo a isso.

O primeiro plot point, sendo o ponto sem volta que é, força seu protagonista a reagir de algum modo. Algo mudou na vida dele que o tirou de sua zona de conforto. Logo, a reação mais lógica do seu protagonista é tentar consertar ou resolver isso para que ele volte para a zona de conforto ou vá para um lugar melhor. A primeira reação causa várias outras reações que eventualmente levarão ao midpoint.

É aqui que toda aquela construção de personagem que eu mencionei na terceira matéria se torna importante: a reação do seu protagonista tem que condizer com a personalidade que você apresentou ao leitor no primeiro ato. Do contrário, o leitor não ficará convencido e a história cairá por terra.

Em O Senhor dos Anéis, por exemplo (sim, provavelmente vou usar LOTR nessa série de matérias todinha, mas sinceramente, nunca vi um livro que se encaixa TANTO na teoria de estrutura), o primeiro plot point é quando os Espectros do Anel invadem o Condado, o que então força Frodo & cia a fugir para Bree onde deveriam encontrar Gandalf. Frodo reage a invasão dos Espectros e, portanto, ao primeiro plot point, e tudo que acontece em seguida é uma reação à reação dele: o encontro com Aragorn, a saída de Bree, a travessia dos pântanos, etc, etc, etc, até eles chegarem a Valfenda. Toda essa parte da história é uma cadeia de reações ao primeiro plot point aka à perseguição dos Espectros do Anel.

Esse 25% de história (lembrem-se que geralmente o segundo ato toma 50% de um livro, e essa é a primeira metade dele) é basicamente onde o protagonista se pergunta “e agora? o que fazer?” e então ele tenta responder essa pergunta e reage. O que isso significa pode mudar muito de história para história, de gênero para gênero, mas em essência a coisa é mais ou menos a mesma: o mundo do seu personagem não é mais o mesmo, ele tem um grande problema para resolver (junto com vários outros menores, provavelmente) e está muito ocupado tentando impedir que as coisas piorem/tentando compreender o que aconteceu, ou seja, ele está reagindo.

A primeira metade do segundo ato também é uma boa oportunidade para desenvolver mais seus personagens e os relacionamentos entre eles, além de usar um tanto de foreshadowing, se você assim desejar, ou de mostrar do que seu antagonista é capaz ou pelo menos para mostrar que ele está presente e ativo. No fim das contas, esse é o momento da história em que seu protagonista está abandonando de vez a vida antiga dele e enfrentar, mesmo que indiretamente, o antagonista seria uma forma de dizer que sim, isso é real/as coisas mudaram mesmo.

Se seu protagonista vai precisar de algo para derrotar o vilão no clímax (uma pedra mágica, digamos, ou um poder específico) a primeira metade do segundo ato é onde é mais indicado apresentar tal elemento para que a coisa não fique parecendo um deus ex machina depois. Isso vária muito de história para a história também, claro, mas geralmente quando posicionados desse jeito a trama tende a funcionar muito bem.

A cadeia de reações da primeira metade do segundo ato eventualmente levará ao assunto da próxima matéria, que mencionei ali em cima: o midpoint.

Bem, é isso. Espero ter ajudado e qualquer coisa é só deixar um comentário!

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