estrutura #07 – personagens agem

Como mencionei na última matéria, o midpoint é o segundo plot point e seu objetivo é mudar a história no mesmo estilo que o primeiro plot point o fez lá no primeiro ato. A principal consequência do midpoint acontece na segunda metade do segundo ato, que toma 25% da história, e ela pode ser resumida em: fazer os personagens agirem.

Lembra que eu falei na matéria sobre a primeira metade do segundo ato que ele é todo sobre os personagens reagindo ao primeiro plot point? O midpoint, como falei na última matéria, muda tudo isso: agora eles estão agindo, atacando ao invés de se defendendo apenas. É quase como se o midpoint fosse também um momento de realização do seu personagem; ele tem que resolver as coisas agora ou ele vai perder tudo.

Então ele já começa a segunda metade do segundo ato procurando “atacar”. Isso não precisa ser literal, óbvio (na verdade, frequentemente não é). O que quero dizer com isso é que ele busca mais ativamente por uma solução. Talvez ele se arrisque mais. Talvez ele tome coragem para fazer algo que antes ele não teria feito, mesmo que isso seja pedir ajuda de alguém, por exemplo.

Isso, é claro, coloca o foco no seu personagem e no arco de desenvolvimento dele. Um dos maiores erros que vejo por aí é tentar desenvolver o personagem todinho no terceiro ato, lá no final, como se uma pessoa pudesse mudar assim de uma hora pra outra em um única momento. Não rola, né? Desenvolvimento tem que ser gradual. É por isso que na última matéria eu comentei sobre os indícios de desenvolvimentos que já devem ser deixados desde o início do segundo ato.

Chegar na segunda metade do segundo ato significa também que o terceiro está muito próximo. E o terceiro ato é o mais acelerado de todos, onde você não tempo de fazer nada além do extremamente necessário. Logo, é aqui, na metade do segundo ato, o momento para colocar todas as peças nos lugares certos para quando o terceiro ato chegar você não precisar se preocupar com isso.

A segunda metade do segundo ato também é o momento certo para aprofundar ainda mais os relacionamentos dos personagens diante do que aconteceu no midpoint. Já que o protagonista teve seu momento de realização e agora meio que enxerga tudo de um modo um tanto diferente, as coisas podem ou não ter mudado. E falando em relacionamento: subplots. Se você os tem, a segunda metade do segundo ato pode ser o momento certo para dar um pouco mais de atenção a eles, especialmente se eles envolverem romance. Afinal de contas, se seu livro não é focado em romance, o início do terceiro ato vai tornar bem difícil para os pombinhos qualquer tipo de resolução.

Alguns problemas levantados na primeira metade da história podem ser resolvidos aqui, mas os maiores vão, é claro, ser resolvidos (ou não, quem sabe né) apenas no terceiro ato.

Ou seja, no fim das contas, a segunda metade do segundo ato ainda é sobre o seu personagem tentando resolver o problema lá do primeiro plot point, que pode ter sido piorado ou alterado pelo segundo plot point/midpoint, mas agora ele está mais… desesperado, por assim dizer. No livro que estou escrevendo no momento, Queen of Hearts, a protagonista, Valentina, é uma princesa, mas desde que sua mãe morreu (incidente instigante da história) o Conselho meio que vem dando hints de que não a quer no trono. O midpoint da história é justamente eles decretando um período de regência e usando erros dela para justificar isso. É algo que muda a história completamente; agora o risco de Valentina perder sua coroa é muito maior, o que faz com que ela tenha seu “momento de realização”. Primeiro porque isso só está acontecendo em parte graças a erros dela, o que faz com que ela comece a se questionar; segundo, se ela não arranjar um jeito de convencer o Conselho de que pode reinar, há grandes chances que eles acabem deixando-a de lado pra sempre, erradicando assim o reinado de sua família. Falhar desse modo quando ela é última sobrevivente da sua linhagem seria a pior coisa que poderia acontecer com ela, que vem estudando para sua função literalmente desde sempre.

Lembra dos riscos e coisas a se perder que mencionei na segunda matéria? Então. Valentina se desespera. É aquele famoso momento do agora ou nunca. Ela pede ajuda a quem jamais pediria até uma semana antes de isso acontecer. Ela faz coisas que jamais sequer pensaria em fazer, para falar a verdade. A função do midpoint é essa também; mudar seu plot, mas também forçar seus personagens a agirem e então a mudarem e se desenvolverem também.

Mas tome cuidado: não faça toda a mudança do seu personagem acontecer aqui no segundo ato. Isso tiraria o impacto do seu clímax lá no terceiro. Aqui ele deve começar a mostrar realmente a transformação dele de modo mais óbvio, mas é apenas no fim da história que todo o desenvolvimento que você orquestrou pra ele vem à tona.

Bem, é isso. Na próxima matéria já começarei a falar sobre o terceiro ato com, adivinhem, o terceiro plot point. Espero ter ajudado e qualquer coisa é só deixar um comentário!

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