estrutura #08 – terceiro plot point e a decisão crítica

Chegamos no terceiro ato! Como mencionei na última matéria, o terceiro ato é o mais acelerado de todos. Não há muito tempo para respirar aqui; tudo acontece muito rápido, e é justamente por isso que todas as peças devem estar no lugar certo antes de ele começar.

E como ele começa? Com o terceiro plot point.

A essa altura do campeonato vocês já devem saber como plot points são e fazem: eles mudam tudo. Foi assim com o primeiro plot point no fim do primeiro ato, com o midpoint no meio do segundo, e é assim com o terceiro aqui no último. Mas diferentemente dos anteriores, o terceiro plot point não significa apenas mudança; ele significa mudança e dor, caos e agonia para o seu protagonista.

Certo, estou brincando, mas a ideia é mais ou menos é essa: seu protagonista é uma criança com um doce e o terceiro plot point é um babaca que toma esse doce sem dó nem piedade. E depois empurra a criança pra dentro de um buraco.

Ou seja, ele ferra com seu protagonista.

O terceiro plot point coloca seu protagonista contra a parede, basicamente. Se o primeiro plot é o ponto de não retorno, o terceiro é onde ele morre, figurativamente ou não, ou vence (se você pensou em Game of Thrones aqui, não foi o único). Ou seja, graças a ele o personagem não tem escolha alguma a não ser encarar o antagonista em uma batalha final.

Logo após o terceiro plot point, é provável que seu protagonista esteja na pior. O que ele mais queria foi tirado dele, ou o será em breve, ou pelo menos ele pensa que isso vai acontecer. Aqui é o momento de ser um sacana com seu personagem, mas cuidado para não ser melodramático; isso só fará com que seus leitores revirem os olhos e não convencerá ninguém. Seu personagem tem que estar genuinamente abatido graças ao que aconteceu. Para ele, toda a esperança virou cinzas.

É aí que a decisão crítica entra em cena.

Eu a mencionei lá minha matéria velha sobre estrutura, que não faz parte dessa série, e a definição que dei lá explica bem:

É quando seu personagem toma uma decisão que basicamente ou muda o rumo da história inteira ou pelo menos o da história dele, além de mostrar de vez para seus leitores quem seu personagem é de verdade.

Ou seja, é o resultado do desenvolvimento que você vem fazendo durante toda a história. Porque não adianta apenas dizer que seu personagem mudou agora no fim do livro; você tem que mostrar. Ou seja, a transformação por si só não é suficiente. Pense na decisão crítica como uma espécie de “prova” que você dá ao leitor de que sim, seu personagem mudou. E o que é melhor: essa mudança literalmente define o final da história.

Usando o livro que estou escrevendo (Queen of Hearts) de novo como exemplo, a decisão crítica de Valentina, a protagonista, é escolher entre sua coroa e a oportunidade de desmascarar a vilã da história. Se ela escolher desmascarar a vilã, ela nunca poderá ser a rainha que sempre sonhou em ser, que sempre foi treinada pra ser, e que vem lutando desde o início do livro, que foi quando sua mãe morreu, pra ser. Se ela escolher a coroa, perderá o que talvez seja o único modo de desmascarar a vilã e as consequências pra isso podem ser terríveis para todos. Ou seja, na verdade, a pergunta feita é se Valentina, que desde o início livro diz se importar com seu povo, quer ser rainha apenas porque é sua vontade e porque é a tradição de sua família e porque ela se consideraria uma perdedora se não o fosse ou se ela quer ser rainha para realmente governar por se importar com as pessoas. Ou seja, Valentina quer a coroa por poder/status ou por realmente ser uma Boa Pessoa™?

No fim das contas, o que vai decidir o final da história é o desenvolvimento do personagem, ou melhor dizendo, quem o personagem se tornou no fim do livro. Valentina se torna uma pessoa que se importa com as pessoas além dela ou não? Ou ela já era desde o início? Ou ela quer mesmo a coroa por que não consegue nem considerar a ideia de decepcionar sua mãe e desonrar sua família desse jeito?

Tudo isso é respondido no momento que ela faz sua decisão crítica, e é claro que só funciona se você conseguiu orquestrar bem o desenvolvimento do seu personagem durante o livro. A decisão crítica também é o momento em que o protagonista sacode a poeira, respira fundo e levanta a cabeça. É o momento em que ele decide lutar novamente, por assim dizer.

Se você fez tudo bem, a decisão crítica vai ter um peso enorme, e vai abrir alas com todo estilo para aquele que todos os leitores esperam: o clímax.

Bem, é isso. Espero que tenha ajudado e qualquer coisa é só deixar um comentário!

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