cena #01 – introdução

Faz um tempo que eu venho me debatendo para escrever as cenas do meu atual projeto, Queen of Hearts. Já fiz uma matéria (e uma ficha) sobre como estruturar cenas lá pro tumblr, e por um tempo elas me foram o suficiente, mas ao tentar escrever algumas para meu já mencionado projeto, eu me via incapaz de seguir a estrutura proposta por tanta gente. As coisas simplesmente não queriam acontecer daquele jeito e não havia santo nessa terra que mudasse isso. A internet havia, enfim, mentido para mim.

Foi aí que eu resolvi voltar a pesquisar sobre cenas. Depois de um livro, dezenas de posts e blogs e várias dicas aleatórias, eu sinto que devo me desculpar com a internet. Ela não mentiu para mim. Só me contou a meia verdade mesmo.

Veja bem, todo mundo fala sempre que TODA CENA EVER deve ter conflito. Toda santa cena deve ser uma briga entre o objetivo do seu personagem e o que quer que esteja impedindo seu personagem de alcançar esse objetivo. Eu mesmo já falei isso, porque é nisso que eu acreditava. Foi só ao tentar escrever o meu bendito projeto e ao tentar analisar com mais calma alguns livros que eu percebi que havia uma parada meio errada nessa história. Foi aí que eu cheguei ao momento eureca do dia.

Não dá para enfiar conflito em toda santa página. É sério.

Lembram de Truthwitch? Truthwitch foi um livro que me perdeu porque boa parte dele era só ação, ação e mais ação. Conflito foi algo que certamente não faltou na história, mas toda aquela correria me deixou super exausto e sem me importar muito com os personagens. Parte disso se deveu ao plot (que não é o ponto dessa matéria), mas boa parte também se deve ao fato de que Truthwitch é um trem desembestado que não para nunca e que tem conflito em praticamente toda página.

Ou seja, a história não te dá tempo para respirar. Ou não dá tempo para os personagens respirarem.

Pense bem: mesmo nos livros mais rápidos, cheios de aventura e correria que você já leu, tem sempre os momentos de calmaria. Aqueles momentos em que quase não há conflito nenhum (ou que não há conflito nenhum) e os personagens só pensam, conversam e refletem sobre o que aconteceu. Não há objetivo para o agora, não há conflito agora. E isso é perfeitamente normal.

Esses momentos são os sequels. Ou, em português, as sequências, as continuações, das cenas mais animadas. E no sistema tem-que-ter-conflito-em-toda-cena, essas sequências acabam desaparecendo, já que elas não têm conflito nenhum.

Era isso que estava me incomodando quando eu tentava escrever as cenas de QH. Eu estava tentando forçar objetivos e conflitos em uma cena (que era uma sequência) onde essas coisas simplesmente não cabiam.

Pesquisando, acabei conhecendo a teoria de que cenas podem vir em todos tipos. As cenas e as sequências. É uma nomenclatura meio estúpida (como diabos uma subdivisão da cena se chama cena? Pois é, vá lá reclamar com os carinhas da escrita, mas é assim mesmo) e por isso nessa minissérie sobre cenas eu vou chama-las de ação e sequência para não causar confusão.

Essa teoria diz o seguinte: cada cena-ação e cena-sequência é formada por três “tijolos” que formam sua estrutura. Mas vamos para a definição de cada primeiro.

Cenas-ação são onde as coisas acontecem. Sabe a luta contra o cara do mau? O primeiro beijo dos pombinhos? A grande revelação? Todos os plot points que eu já comentei na minha série sobre estrutura? Tudo isso acontece nessas cenas-ação, que são obviamente extremamente importantes para sua história e cheias de conflito.

Cenas-sequência são bem mais calmas, como eu já mencionei lá em cima. Nada de grandes explosões, ataques, revelações ou correrias nessas cenas. Cenas-sequências são sobre reação à ação acontecida nas cenas-ação, e, por isso, embora não tenham conflito, elas possuem tensão.

Mas Neo, conflito e tensão não são a mesma coisa? Não exatamente. Conflito é, bem, como o nome já diz, uma “luta” entre duas ou mais forças, geralmente entre seu personagem (que quer algo) e o que quer que o esteja impedindo de alcançar esse algo. Tensão não exige essa briga entre forças, e é mais a promessa de que algo vai acontecer ou pode acontecer, geralmente em consequência do que aconteceu na cena-ação, e é obtida com a ajuda da escrita. Se seus personagens estão tensos, quase como se esperando que algo fosse acontecer a qualquer momento ou preocupados com isso (mesmo que de leve), fica mais fácil criar tensão.

Cenas-ação e cenas-sequência são subdividas assim:

Cenas-ação

  • Objetivo
  • Conflito
  • Desastre

Cenas-sequência

  • Reação
  • Dilema
  • Decisão

Nessa minissérie eu irei falar sobre os elementos das cenas-ação e das cenas-sequência. Como o próprio nome diz, vai ser uma série bem curta, com mais dois ou três posts no máximo. Esse de hoje foi apenas uma introdução; no próximo, eu irei falar sobre a cena-ação.

Bem, é isso. Espero que tenha ajudado e qualquer coisa é só deixar um comentário ^^

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