cenas #02 – elementos da cena-ação

Como comentei na primeira matéria dessa minissérie sobre estrutura de cenas, as cenas-ação – onde todos os acontecimentos importantes da sua história acontecem – possuem três elementos: objetivo, conflito e desastre. Antes de me aprofundar em cada um deles, porém, vou tirar logo uma pedra do meio do caminho: só porque eu chamo as cenas-ação de cenas-ação não quer dizer que a ação nelas tem que ser estilo SUPER ação, ou seja, correria, explosões, lutas, monstros saindo do armário, etc.

A ação de uma cena-ação pode simplesmente ser uma guria tentando chamar atenção do cara que ela gosta. Ou uma pessoa tendo uma conversa com outra. A ação aqui se caracteriza justamente pelos elementos da cena-ação, ou seja, a presença do objetivo, do conflito e do desastre. E esse objetivo não precisar ser salvar o mundo, assim como esse conflito não precisa ser uma briga entre titãs e o desastre não precisa ser o fim do universo. Simples, né?

O OBJETIVO

Lembra que eu já disse umas quinhentas vezes que é objetivo do personagem que carrega a história e o plot? Então, esse objetivo maior acaba se fragmentando em objetivos menores, que são os objetivos de cada cena-ação. Exemplo: no meu projeto atual, Queen of Hearts, o objetivo principal da protagonista, Valentina, é se tornar rainha e descobrir quem matou sua mãe & de onde os monstros vieram. Mas na cena inicial da história, seu objetivo é mostrar para o conselho que ela pode sim reinar no lugar de sua mãe e que não é inexperiente ou jovem para isso. Esse objetivo é obviamente derivado do objetivo principal da história, e é ele quem carrega a série.

Sua cena-ação precisa de um objetivo, e é melhor deixar claro qual é ele o mais rápido possível. É ele que vai guiar a direção de sua cena e vai, em parte, dar a sua cena seu propósito. Se seu personagem não tiver um objetivo – não importa qual ele seja, e aqui ele pode ser relacionado ao plot, a relacionamentos de personagens, etc – sua cena vai ser uma cena filler, ou seja, vai existir apenas pra encher linguiça (a não ser que ela seja uma cena-sequência, mas disso falaremos na próxima matéria).

É bom deixar claro também o que seu personagem tem a perder caso ele não alcance seu objetivo e o porquê de ele estar querendo alcançar esse objetivo. Lembra de como eu falei que é muito importante saber o que seu personagem tem a perder para seus leitores se importarem com ele? Então, é isso. Não precisa ir a fundo nessas coisas também; é só deixar claro o suficiente para que seus leitores possam tirar conclusões por si próprios.

O CONFLITO

O conflito é aquilo que vai de encontro ao seu personagem. Pode ser outro personagem ou personagens, um obstáculo natural (tempo ruim, um desastre natural, etc), circunstâncias que não ajudam… enfim, qualquer coisa que se coloque entre seu personagem e seu objetivo é o conflito.

É no conflito que a maior parte da cena acontece, mas aqui você tem cuidado. Não adianta arranjar um conflito qualquer que não tem relação nenhuma com o plot o tempo todo. Isso pode funcionar às vezes, mas, por exemplo, se o conflito na minha cena inicial da Valentina fosse o teto caindo, onde estaria a graça disso? O conflito e o objetivo tem que ser interligados, e relacionados com o plot ou com os personagens ou seu relacionamentos (em 99% das vezes – há uma exceção pra tudo). No caso da cena-ação da Valentina, o conflito surge quando o Conselho vai de encontro com tudo o que ela fala e praticamente exige que ela se case para se tornar rainha. Ela e o conselho discutem, e o conflito se desenvolve. É o resultado dele que leva ao desastre.

Conflito é algo que sempre levam em consideração quando o assunto é cenas, como comentei no post de introdução. Ele é muito importante em cenas-ação e são basicamente a alma de cada uma.

O DESASTRE

Aqui é que está a coisa: a maior parte dos conflitos vai terminar em merda pro seu personagem. Se não desse, ele atingiria seus objetivos super rápido e não haveria quase nada de história. É por isso que essa parte é chamada de desastre, apesar de desastre indicar uma coisa um tanto mais dramática do o necessário. No fim das contas, é simples: seu protagonista falha, completa ou parcialmente.

Ainda usando a cena da Valentina, o conflito termina com o Conselho vitorioso, que, implicitamente, deixa a entender que a não ser que ela faça o que eles digam, ela vai ser chutada do trono. Se ela vencesse e conseguisse mostrar pra eles que pode reinar, não haveria mais história nenhuma e o livro terminaria praticamente no capítulo um. Mas como ela perdeu, seus problemas pioraram e ela ainda tem muito pela frente.

É isso que o desastre faz: impede que a história termine e piora a vida do seu personagem. E é aqui, depois do desastre, que começa a cena-sequência.

Bem, é isso. Esses são os elementos da cena-ação. Na próxima matéria falarei da cena-sequência. Espero que tenha ajudado e qualquer coisa é só mandar deixar um comentário.

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s