personagens #02 – objetivos e motivações

Continuando a série sobre criação de personagens, hoje falarei um pouco sobre o que acredito ser uma das partes mais importantes de cada personagem: seus objetivos e motivações.

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Diário de Escrita #06 – Contos… de novo

Então, faz exatamente sete dias desde o meu último diário de escrita. Nele eu mencionei que começaria a reescrita de um dos meus contos, Meio Lobo, Meio Corvo e bem… foi só hoje mesmo que eu consegui construir uma nova outline para ele. Por quê? Simples: tema.

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Diário de Escrita #05 – Contos!

Então, a reescrita do primeiro ato de QH não vai bem. Cheguei a escrever o novo primeiro capítulo e a reescrever o que agora é o segundo, mas não está rolando – ou, pelo menos, esses capítulos iniciais da Valentina não estão. O do Rafael e o do Lori? De boa. Mas esses dois capítulos da Valentina? Nah.

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Diário de Escrita #04 – Lidando com vários POVs

Com o fim dos meus posts sobre minha Nanoprep (já que a outline de Serpentkiller já está pronta), voltei para o batente de verdade, ou seja, para o planejamento de Queen of Hearts. No último diário de escrita eu falei sobre como descobri o problema das 32k palavras que escrevi durante o Camp NaNoWriMo e estava relativamente pronto para fazer uma nova outline, essa levando em conta todas as alterações que o Novo Elemento(tm) do worldbuilding acarretou no plot. Mas a toupeira aqui viu setembro se aproximando e pensou, meu Deus, o NaNoWriMo em novembro! e puff, me apressei para planejar direitinho o projeto que irei usar em novembro (obviamente, tal projeto é Serpentkiller).

Problema sendo: há uma coisa entre setembro e novembro e essa coisa se chama OUTUBRO.

Estou até agora tentando arranjar uma explicação que faça sentido para o fato de que eu apaguei outubro da minha mente como se o pobre coitado nunca tivesse existido, mas as consequências desse lapso são bem óbvias: eu ainda tenho mais de um mês e meio até o NaNoWriMo, ou seja, tempo para escrever Queen of Hearts.

E foi isso que me fez sentar a bunda na cadeira hoje para trabalhar naquela nova outline que mencionei no último diário de escrita. Foi difícil terminá-la, porém, e isso tudo se deve a uma coisa apenas: POVs.

Lá quando eu ainda escrevia O Olho da Serpente, lidar com os POVs da história não era muito difícil por vários motivos. Primeiro, os personagens com POV quase nunca se encontravam, então era mais fácil escrever os capítulos deles quase que como se fossem histórias separadas. Segundo, ODS tinha uma protagonista apenas apesar de ter cinco personagens com POV (incluindo ela, claro), então eu não me importava nem um pouco em fazer a tal protagonista ter 5 capítulos seguidos enquanto os outros personagens tinham tipo, um por vez. Mas QH é BEM diferente nesse sentido, já que sim, Valentina é a protagonista do primeiro volume, mas eu preciso estabelecer e desenvolver Rafael e Lori, já que eles vão ser os protagonistas do segundo e terceiro volume respectivamente. Valentina ainda ganharia mais atenção, claro, mas Rafael e Lori seriam coprotagonistas com ela.

E é aqui que eu revelo umas coisas sobre mim: eu tenho uns tics bizarros de organização. Exemplos:

1. Se eu começar uma família no The Sims 4 hoje e parar de jogar em uma semana, quando eu voltar a jogar daqui a três semanas eu PRECISAREI criar uma família nova já que meu cérebro odeia continuar as coisas pela metade apesar de EU ter começado a família.

2. Se você me der um livro pra ler e ele for o número 5 em uma série onde cada livro é standalone (ou seja, não importa onde você começa a ler), eu não conseguirei lê-lo porque a ideia de que tem coisa antes que eu não li ficará enchendo o meu saco mesmo eu sabendo que não é necessário ler os volumes anteriores (única exceção a essa cisma minha são os livros da Agatha Christie tbh).

3. Meu caderno é estupidamente organizado quando o assunto é a formatação do que eu escrevo. Tópicos são separados por bolinhas na frente deles, sub-tópicos são um pouco mais pro lado direito e são sinalizados por tracinhos na frente deles e se eu errar uma vez sequer irei me odiar até eu ter começado tudo de novo em uma nove folha, não importa se eu já tiver usado a página toda.

4. Se for meio dia e eu tiver que sair às 15h30 eu não conseguirei fazer NADA em casa até eu sair e voltar, ou seja, não conseguirei escrever ou estudar ou desenhar ou whatever nessas três horas e meia. Eu abomino a ideia de ser interrompido, logo eu nem começo.

E, por último, e o que é o exemplo mais importante para esse post:

5. Eu adoro coisas simétricas, ou coisas que são correspondentes/reflexos uma da outra.

(Minha lua é em virgem o que talvez explique isso oops)

Acho que até já comentei lá no Chimeriane, mas antigamente o fato dos títulos de The Iron Queen’s Game não serem “simétricos” me irritava. Master of Beasts e Angel of Mist “combinavam”, mas o nome do primeiro, Masked Queen, não, e isso me deixava meio :///. Quando surgiu a oportunidade/ideia de mudar esse título, portanto, eu não hesitei e Masked Queen se tornou Queen of Hearts.

Ou seja, pode-se concluir que eu tenho uma cisma com início, meio e fim & coisas simétricas e isso acaba refletindo no que eu escrevo, seja no meu amor por estrutura e planejamento ou no worldbuilding das minhas histórias (ODS é total baseada em elementos que servem de espelho um para o outro e/ou são simétricos, como os dragões, avrazas e attorias x as serpentes, enais e sournais, por exemplo). E, bem… em como eu organizo meus personagens POV.

Seguindo minha neura de coisas precisarem seguir uma ordem/terem início, meio e fim/serem “simétricas”, minha intenção inicial para QH era que os capítulos seguissem uma esquema bem básico: capítulo da Valentina > capítulo do Rafael > capítulo do Lori em loop até o fim da história.

Problema: não dá pra contar a história desse jeito.

Não. Dá.

Isso vem me irritando há MESES, mas eu tenho que admitir a derrota. Não dá pra seguir uma ordem bonitinha de capítulos em QH pelo simples fato de que algumas cenas ficariam horríveis do ponto de vista da Valentina enquanto outras precisam ser do ponto de vista do Lori e várias ficariam BEM melhor se fossem do ponto de vista do Rafael. Isso sem falar no quão abrupta as mudanças de capítulo ficariam e como o ritmo sofreria com esse sistema, ou como eu estava literalmente criando coisa para tal personagem fazer simplesmente porque não era a vez dele no esquema V>R>L.

Eu cheguei a considerar tirar os POVs do Rafael e do Lori de QH, mas felizmente me toquei que eu estava correndo o risco de arruinar um livro INTEIRO porque meu cérebro dá piti se eu não fazer as coisas em ordem. Quero dizer, wtf?

E seguir esse esquema fazia qualquer tentativa de outline um verdadeiro inferno. Eu tinha que pensar no que tinha que acontecer, em como os personagens se desenvolveriam naquelas cenas e ainda por cima tinha que fazer verdadeiros malabarismos para os capítulos continuarem sendo V>R>L>V>R>L>etc até o fim da história. Eu consegui planejar a outline de Serpentkiller em menos de uma semana, mas a outline de um livro para o qual eu já tinha um rascunho completo? Não rolava porque POVs. Sério mesmo.

Mas hoje eu finalmente desisti do sistema V>R>L>V>R>L e fiz uma nova outline levando em conta as coisas que precisavam acontecer e não a ordem dos personagens POV. Nem preciso dizer que ela ficou pronta rapidinho, né? Pois é. Agora QH tem momentos em que a Valentina tem três capítulos seguidos, momentos em que o Lori surge entre capítulos dela como quem não quer nada, momentos em que Rafael narra pra cacete,  momentos em que Rafael não narra nadica de nada e assim por diante.

Graças a isso, finalmente começarei a reescrever as 32k palavras que fazem o primeiro ato de QH essa semana.

Ainda me incomoda? Sim, incomoda.

Mas é o melhor para história? Sim, é.

Maldita lua em virgem.

Diário de Escrita #03 – Dois livros em um?

Se você não me segue no instagram ou no tumblr, provavelmente não sabe que eu anunciei que voltaria a escrever QH dois dias atrás. Isso… não aconteceu, infelizmente. Mas no fim das contas esse atraso foi até bom; ontem e hoje eu trabalhei bastante na história, o que me fez perceber uma coisa: eu vinha tentando escrever dois livros em um só.

Não, não estou falando de gênero diferente ou de personagens demais ou muitas tramas. Como eu já mencionei algumas vezes, escrevi a maior parte do primeiro rascunho de QH durante o NaNoWriMo de 2015, e o fiz sem muito planejamento. O resultado foi bem previsível, pelo menos pra mim, um escritor plotter até o tutano: um rascunho desestruturado, sem ritmo, com personagens sem graça e uma escrita horrenda.

O que, claro, é normal para um primeiro rascunho. O primeiro rascunho de qualquer história tem total permissão para ser um atentado contra a literatura. Não era esse o problema, portanto. O problema só apareceu mesmo quando eu comecei a escrever o segundo rascunho, e ele é bem simples: a história não estava me animando tanto quanto deveria.

Minha primeira reação foi analisar os personagens principais, e havia sim algo ali a ser consertado (aka Valentina, mas disso falo em outro post), mas logo conclui que mesmo com essas coisinhas não tão perfeitas, eu adorava (e adoro) os personagens da história. Também adoro o lugar onde ela se passa (as sete cidades flutuantes), assim como o plot da história, que é cheio de mistério e coisas fantásticas, basicamente meu ponto fraco para livros.

Restava apenas o worldbuilding, e foi justamente aí que eu encontrei o que estava me incomodando.

Já mencionei várias vezes que adoro worldbuilding originais. É uma das razões de eu gostar tanto de The Fifth Season, The Mirror Empire e, recentemente, Ancillary Justice. Mundos diferentes, que fogem completamente do que vemos normalmente em SFF, são também meu ponto fraco. E o mundo de QH estava meio morno mesmo. Não ruim, acredito; afinal de contas, eu gosto bastante da ideia das cidades flutuantes e da superfície tomada por monstros, mas… não é exatamente disso que estou falando.

Sempre que vejo entrevistas com escritores, há sempre a pergunta de quem foi que te inspirou? e isso fazia com que eu me perguntasse quem tinha me inspirado. O Senhor dos Anéis, certamente, mas hoje em dia o que eu escrevo é, de certa forma, extremamente diferente de qualquer coisa que Tolkien fez (a começar pelo fato de que o homem hétero cis branco é bem raro entre meus personagens principais). Mas fora ele… bem, só influências de jogos e filmes, nenhuma forte o bastante para eu dizer me inspirei nisso aqui! Logo, durante a maior parte dos meus anos como escritor, eu sabia que queria ter algo diferente nas minhas histórias, mas eu não sabia exatamente o quê. Foi só ao ler The Mirror Empire eu me toquei o que esse algo era: mundos diferentes, não só do ponto de vista fantasioso como também do social (o que é meio estranho, já que hoje eu poderia dizer que Hurley e Jemisin são minhas maiores influências, mas na verdade o que rolou foi reconhecimento, não influência. Eu venho escrevendo há quase 10 anos, e li Hurley ano passado e Jemisin esse ano. Ou seja, foi mais um momento eureca mesmo).

Não é difícil ver isso nas minhas histórias. A grande maioria (e por grande maioria quero dizer todas, menos QH) não tem nenhuma sociedade onde sexismo, homofobia, transfobia, etc, existem/são a norma, ou essas sociedades não são o foco da história. Nenhuma se passa em uma época pseudo-medieval, e boa parte delas tem elementos que tornam o mundo um tanto diferente no quesito funcionamento. E bem… QH não tem isso. O contexto social não é exatamente o da Idade Média (tá mais pros nossos anos 60 ou 70), mas não é do tipo que eu gosto de escrever de verdade. O mundo é legal, mas não tem aquela coisa que o torna diferente que tanto me atrai nas árvores carnívoras e andantes, nas florestas tóxicas e nos prédios vivos de The Mirror Empire, ou nos apocalipses constantes e nos stone-eaters de The Fifth Season, ou ainda nas naves capazes de habitar centenas de corpos de Ancillary Justice. E era isso que eu precisava mudar.

Não o social, já que a sociedade sexista/homofóbica/transfóbica de QH é de certa forma importante para a história e para a construção e desenvolvimento dos personagens principais, mas sim o próprio mundo. A solução foi então pensar em algo diferente – não exatamente original, já que tal coisa é meio impossível nos dias de hoje – para modificar o mundo da história. Um conselho que li por aí me ajudou bastante nessa decisão também: sempre procure novos modos de passar informação para o leitor.

Esse era um dos problemas na falta de singularidade do mundo de QH também. Ex: na primeira versão, os personagens descobrem uma biblioteca secreta na cidade flutuante (lembrando que essas cidades foram construídas por elfos, e os humanos sabem bulhufas sobre elas, isso é, não sabem nem o que as mantém no céu). Mas isso – biblioteca secreta que irá ajudar a desvendar segredos – é super cliché. O que tem de interessante e novo nessa situação?

De forma semelhante, o que tem de interessante e novo nesse mundo?

Comecei a pensar no que eu queria de diferente ao planejar a trilogia lá no final de junho e foi algo até fácil de arranjar. Fiquei bastante feliz com o resultado e isso me animou para terminar o planejamento a tempo de participar do Camp NaNoWriMo de julho. A cena da biblioteca secreta foi totalmente reformulada para passar a mesma informação de um jeito bem diferente, por exemplo, graças às modificações que fiz. Esse novo elemento do worldbuilding estava funcionando maravilhosamente bem.

Mas foi só ao parar agora para reescrever as 32k palavras que tenho para o início que me dei conta que estava tentando escrever dois livros em um: o QH velho, sem essa modificação ao mundo que passou a influenciar o plot em 100%, e o QH novo, com essa modificação super presente. Isso aconteceu principalmente porque eu usei muito o primeiro rascunho como base. Não usei nenhuma das cenas, mas sim as coisas que tinham que acontecer. Problema sendo, obviamente, que o primeiro rascunho não tinha nada desse Novo Elemento ™ e por isso essas 32k palavras não refletem essas mudanças. E, como eu disse, esse Novo Elemento influenciou demais o plot. O passado da vilã mudou graças a ele, assim como a própria história das cidades flutuantes e a origem dos deuses élficos e humanos. O QH modificado é uma história, portanto, completamente diferente em tom, o que tornou as 32k palavras um freakenstein.

Passei esse fim de semana consertando esse freakenstein. Não as palavras em si, claro, mas o outline da reescrita que começarei em breve. Graças a isso, resolvi vários problemas do primeiro rascunho, como a inércia da vilã (que, para minha surpresa – não, eu não havia notado apesar de falar disso em toda santa matéria do Chimeriane – passa o livro todo sem fazer praticamente NADA) e, claro, todo o drama do plot1/plot2 do último diário de escrita.

Ainda falta coisa para fazer, claro (aka a outline nova não-freakenstein do resto do livro), mas tive várias ideias legais nos últimos dois dias que mal posso esperar para inserir na história. Não sei ainda quando voltarei à escrita, mas por enquanto estou bem feliz em continuar meu processo de brainstorming.

Diário de Escrita #02 – Plot vs subplot

Como comentei no último post, estou para começar a reescrita do primeiro ato de Queen of Hearts. Meu plano inicial era voltar a escrever em primeiro de agosto mesmo, o que me daria uns quatro dias de “férias” antes de mergulhar novamente na história. Porém, acabei topando em um problema que me impediu de seguir o que eu tinha planejado.

O problema? Simples: ênfase demais no subplot. Ou, melhor dizendo, um plot duplo. Queen of Hearts é sobre Valentina, uma jovem mulher escolhida como a princesa das sete cidades flutuantes que formam o último reino humano a existir. No livro, (até agora) há dois plots principais: primeiro, o de Valentina tentando se tornar rainha após a morte de sua mãe – a Rainha de Ferro -, acontecimento que a deixou em uma situação um tanto delicada perante o Conselho (ela é jovem, mulher, solteira e relativamente sem experiência, ou seja, uma oportunidade perfeita para o Conselho roubar o poder); segundo, o de Valentina investigando os monstros que apareceram em Vitória (que deveria ser uma cidade segura justamente por ser flutuante e, por isso, longe da superfície tomada por monstros), a morte de sua mãe e a própria aparição dos monstros séculos atrás, tudo isso sendo, é claro, interligado.

O problema mesmo é que o primeiro plot (Valentina lutando para ser rainha) deveria ser apenas um subplot. E, bem, ele é. A partir do primeiro ato, ele perde (e muito) o foco, já que Valentina concentra todos os seus esforços no plot #2, que é realmente o importante para a série. Mas isso deixa o início da história – o primeiro ato – sendo sobre um subplot (com hints do plot de verdade), ou seja, é como se eu estivesse escrevendo o início de um livro que seria apenas sobre Valentina se tornando rainha e não um livro sobre monstros, mistérios e deuses enraivecidos.

Tá, mas e daí? você pode estar se perguntando. O leitor não vai perceber eventualmente que o livro é sobre o plot #2? E bem, isso é verdade, mas eis o problema também. É como se eu estivesse fazendo propaganda sobre presunto apenas e entregando um tico de presunto com um montão de queijo mozzarella. O leitor que gosta de presunto e queijo mozzarella provavelmente não vai se importar com o fato de que foi enganado, mas o que não gosta de queijo mozzarella vai ficar revolts da vida. E com razão.

Logo, eu preciso deixar claro desde as primeiras páginas que Queen of Hearts é total queijo mozzarella e não presunto.

(Até porque né, eu odeio presunto).

Corrigir isso está se mostrando uma tarefa bem difícil. Queen of Hearts tem três personagens POV apesar de ser principalmente sobre a Valentina. Rafael e Lori também têm capítulos, e no início da história cada um está em um canto: Valentina em Vitória, a capital e maior cidade; Lori em Vicenza, onde seu pai é o príncipe/governador; e Rafael na superfície logo abaixo de Vitória, onde as fazendas que fornecem comida para a cidade se situam e onde os guerreiros treinados para protegê-las vivem (Rafael sendo um deles). Logo, o início da história é tipo, capítulo da Valentina > capítulo do Rafael -> capítulo do Lori > capítulo da Valentina de novo, e assim por diante. Até agora os caps iniciais da Valentina estão assim:

  • Cap 1 (Valentina): objetivo (se tornar rainha), conflito (o Conselho quer que ela se case antes que ela possa se tornar rainha) e riscos (se ela não atender as demandas do Conselho, eles podem roubar sua coroa) introduzidos.
  • Cap 4 (Valentina): hints de que a Rainha de Ferro não era lá uma santa introduzidos; Valentina começando a investigar seu assassinato. A Inquisidora é apresentada.
  • Cap 7 (Valentina): cremação da Rainha de Ferro; Valentina reforça as ideias da mãe apesar de suas dúvidas em um discurso; Benjamin é apresentado.

O monstro aparece no cap 8, o que quer dizer que ela começa a investigá-lo logo depois. Ou seja, são OITO CAPÍTULOS e quase TRINTA E DUAS MIL PALAVRAS antes que o plot #2 se torne o Plot de Verdade da história. Novamente, o problema está naquele capítulo um ali, já que os objetivos, conflitos e riscos introduzidos são os do subplot/plot #1 e não os do plot #2.

Para a coisa funcionar como eu quero, o cap 1 deveria ser assim:

  • Cap 1 (Valentina): objetivo (descobrir quem assassinou a Rainha de Ferro), conflito (ela suspeita que alguém do Conselho a tenha matado, mas é o Conselho quem quer tirá-la do trono, e ser chutada do trono tornaria praticamente impossível para ela provar que sua mãe foi assassinada) e riscos (se ela não conseguir provar que a Rainha de Ferro foi morta pelo Conselho as chances de ela ter que se casar são grandes, e as chances de seu eventual marido adquirindo muito poder após sua coroação são maiores ainda – ou seja, ela seria um fantoche).

Problema sendo: os caps 2-8 dependem do cap 1 como ele está agora. Ou seja, esse novo cap 1 teria que fazer tudo do atual cap 1 + o do cap 1 “certo” aí de cima.

Eu quero muito manter os acontecimentos do cap 1 atual porque eles são bem eficientes, mas tenho medo que o foco em demasia no subplot faça o livro parecer presunto de verdade. E, como podem ver, os cap 4 e 7 até são mais sobre o plot #2 do que o plot #1, o que quer dizer que o cap 1-presunto tem que se escafeder da história de uma vez por todas.

Como fazer isso é que é o problema, não é mesmo?

Volto a reportar quanto tiver resolvido esse pepino. Me desejem sorte.

Diário de Escrita #01 -Fim do primeiro ato

Hoje eu finalmente terminei a reescrita do primeiro ato de Queen of Hearts. Como comentei lá no Chimeriane algumas vezes, o primeiro ato do primeiro rascunho, que eu escrevi durante o NaNoWriMo de 2015, era muito pequeno e não fazia nada do que devia fazer. Tinha 9.416 palavras, o que, para um rascunho de 74.000, é muito pouco. Logo, quando comecei a escrever o segundo rascunho um dos meus objetivos principais era fazer um início melhor e mais interessante para a história.

Problema sendo: esse início acabou saindo bem grande. Hoje o primeiro ato de QH tem 31.970 palavras, ou seja, chegou bem perto de quase quadruplicar o tamanho do primeiro rascunho. E, bem, não está tão bem escrito assim, já que eu logo percebi que não sou do tipo de escritor que escreve boas cenas de primeira. As cenas novas, com algumas exceções, precisam de reescrita urgente.

E é isso que vou fazer agora: reescrever esse primeiro ato, fazendo de tudo para que ele perca pelo menos umas 5-6 mil palavras e, obviamente, que tenha uma escrita melhor. Há muitas coisas que preciso adicionar, outras que preciso tirar e algumas que precisam ser alteradas para continuarem na história.

Mas antes de começar essa nova reescrita (um terceiro rascunho?) eu vou me dar uns dias de folga. Graças ao Camp NaNoWriMo desse mês eu consegui escrever quase diariamente, o que dá 31.970 palavras escritas em 25 dias. Pretendo fazer essa nova versão do primeiro ato toda à mão para não acabar me distraindo ou escrevendo apenas por escrever e, bem, venho escrevendo direto/quase sem pausas há quase um mês. Planejo começar esse terceiro rascunho em 1 de agosto.

Até lá, ficarei jogando Rise of the Tomb Raider e aproveitando meus últimos dias de férias.

Trecho de hoje:

He grabbed Valentina’s wrist, his voice rising above the music. “Get down, now!”

But Lorenzo was already moving. He pushed the princess to him and pulled Alexandre close, the two of them sinking against the ground. Rafael dragged Valentina with him and did the same; they hit the floor, him first and the princess falling over him.

A second later, a sharp cry cut the air and the wall beside them exploded.

The blast still launched them forward, onto the dancing couples. Rafael pulled Valentina from above him, shielding her with his body while dust and screams filled the room, and the sharp cry echoed again, this time much, much closer. Rafael turned.

He had enough time to see the see white claws sinking in his direction before it stuck him.

The blow sent him flying and the impact against the ground was strong enough to knock the breath out of his lungs. Agony flared up his back and shoulders when he moved and his left arm burned with a pain sharp enough to make his vision swim. He groaned, blinking, and raised his head.

A monster stood in the middle of the debris. It was tall, at least twice as tall as an average human, its spine curved and its arms so long the piercing claws in its hands brushed against the floor. Bones moved beneath its white scales, the skin stretched so thigh the beast looked almost skeletal. It moved its triangular head, his too big, completely black eyes fixed on the floor, its pointed ears twitching. While Rafael watched, the creature growled, showing sharp white teeth and black tongue.

A malthei.

And beneath it, red dress pooling around her like blood, was Valentina.

Queen of Hearts – Chapter 8